A coleta de lixo em Sete Lagoas vive um momento de instabilidade que pode resultar em paralisação dos serviços. O impasse envolve a antiga empresa responsável pela coleta, a Litucera Limpeza e Engenharia Ltda., trabalhadores desligados sem recebimento das verbas rescisórias e versões conflitantes entre a empresa e a Prefeitura Municipal.
Conforme já vinha sendo acompanhado pelo Portal LA News em matérias anteriores, coletores de lixo denunciam que não receberam corretamente os acertos trabalhistas após o encerramento do contrato da Litucera com o município. A situação levou o SINDESETH (Sindicato dos Empregados em Turismo e Hospitalidade de Sete Lagoas) a se manifestar oficialmente, cobrando esclarecimentos e alertando para o risco de paralisação.
Prefeitura afirma estar em dia
Diante da repercussão do caso, a Prefeitura de Sete Lagoas divulgou nota oficial afirmando que todos os pagamentos estariam em dia, tanto com a antiga empresa quanto com a atual responsável pela coleta de lixo no município. Segundo o Executivo, não haveria débitos pendentes que justificassem o não pagamento das rescisões trabalhistas.
Ofício da Litucera ao Sindicato
No entanto, documentos obtidos pelo Portal LA News mostram uma versão diferente apresentada pela Litucera. Em ofício encaminhado ma última sexta-feira, a empresa respondeu a uma notificação do SINDESETH e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, reconhecendo que as verbas rescisórias dos trabalhadores ainda não foram quitadas, mas atribuindo a responsabilidade direta ao município .
De forma resumida, a Litucera afirma que:
- As rescisões não foram pagas por falta de recursos financeiros;
- Essa falta de recursos decorre de um déficit acumulado ao longo de anos, causado pelo não pagamento, por parte da Prefeitura, de serviços adicionais prestados;
- O município teria autorizado aumento de rotas, mão de obra e veículos, mas não realizou o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato;
- A situação levou a empresa a ajuizar uma ação judicial de reequilíbrio econômico e cobrança, que ainda tramita na Justiça.
A empresa também sustenta que, caso o município quite os valores cobrados judicialmente, as rescisões dos trabalhadores poderiam ser pagas imediatamente.
Documento aponta dívida milionária do município
Outro documento analisado pela reportagem detalha os valores cobrados pela Litucera na ação judicial. Segundo o cálculo atualizado, o valor original da dívida era de R$ 3.216.499,46, referente a serviços prestados e não pagos. Com correção monetária, juros e aplicação da taxa Selic, o montante atualizado chega a R$ 5.750.787,58, valor apurado até outubro de 2025 .
A empresa afirma que esse débito é resultado de serviços executados a pedido da própria Prefeitura, sem a devida formalização contratual e sem pagamento correspondente, o que teria causado o colapso financeiro da prestadora.
Trabalhadores no centro do conflito
Enquanto a disputa administrativa e judicial se arrasta, os trabalhadores seguem como os principais prejudicados. Sem receber as verbas rescisórias, muitos enfrentam dificuldades financeiras, e o sindicato alerta que a continuidade da coleta de lixo em Sete Lagoas segue ameaçada, caso não haja uma solução concreta.
O Portal LA News continuará acompanhando o caso e mantém o espaço aberto para novos esclarecimentos da Prefeitura, da empresa Litucera e do SINDESETH, em busca de respostas para uma crise que pode impactar diretamente a população de Sete Lagoas.






























