Durante uma audiência pública na Câmara Municipal de Sete Lagoas, a secretária de Assistência Social, Cidinha Canabrava, afirmou que o município “não vive uma vulnerabilidade extrema em relação à alimentação”.
Mas os números da própria secretaria, divulgados em 2023, mostram uma realidade que contradiz essa afirmação e que levanta perguntas inevitáveis.
De acordo com o levantamento técnico da pasta, 4.348 famílias vivem em situação de extrema pobreza, com renda per capita de até R$105,00 por mês.
Outras 2.618 famílias estão em situação de pobreza, com renda entre R$105,01 e R$210,00.
Somadas, essas faixas representam 30,5% do total de 22.820 famílias cadastradas no CadÚnico.
Ou seja, quase um terço da população atendida pela assistência social de Sete Lagoas vive com menos de R$210 mensais por pessoa.
Diante disso, cabe a pergunta: será que a fome e a miséria já foram erradicadas na cidade de 2023 pra cá?
O mesmo estudo mostra que o CRAS IV concentra o maior percentual de famílias em extrema pobreza (21,4%), seguido pelos CRAS II e III, ambos com índices de vulnerabilidade acima de 30%.
Até mesmo o CRAS I, que apresenta o menor percentual relativo (15,4%), registra mais de mil famílias vivendo com renda mensal inferior a R$105,00.
Diante de números tão expressivos, fica difícil sustentar que a vulnerabilidade não é extrema.
E se realmente não há pessoas passando necessidade, por que a própria secretaria continua recolhendo alimentos em eventos públicos, como a Exposete?
A propósito, quantas toneladas de alimentos foram arrecadadas nesses eventos?
Quais instituições receberam as doações e quanto cada uma recebeu?
Esses números, até agora, não foram divulgados pela gestão.
Outro ponto que chama atenção é o volume de cestas básicas distribuídas mensalmente pela secretaria.
São cerca de mil unidades por mês, um número que, por si só, revela a dimensão da necessidade social no município.
Mas se, segundo a secretária, Sete Lagoas não enfrenta vulnerabilidade extrema, para onde estão indo essas cestas?
O relatório técnico de 2023, elaborado pela própria Secretaria de Assistência Social, destaca “a importância da manutenção e ampliação das políticas de transferência de renda e de acompanhamento socioassistencial”.
Um alerta claro de que a pobreza e a extrema pobreza ainda são uma realidade local.
Diante disso, resta uma última e inevitável indagação: de que cidade estamos falando ? Porque, pelos números oficiais, Sete Lagoas ainda está longe de superar a fome e a vulnerabilidade.
Enquanto o novo levantamento de dados, referente a 2025, ainda não foi divulgado, os números de 2023 seguem como o retrato mais recente e verdadeiro da situação socioeconômica da cidade, uma realidade que fala por si só.
Dados retirados do Diagnóstico Socioterritorial de Sete Lagoas-MG/2023.































