A Câmara Municipal de Sete Lagoas vive um momento de contrastes entre produtividade efetiva e aumento de gastos. De um lado, avança internamente a discussão sobre aumento no valor das diárias de viagem dos vereadores e a possível criação de um auxílio-alimentação. De outro, enquanto temas que geram despesas seguem em pauta, projetos considerados de pouca relevância prática para o cidadão comum continuam sendo aprovados sem grandes resistências.
Foi o caso do Projeto de Lei 972/2025, aprovado no último dia 11 e de autoria do vereador Leôncio Lopes (Mobiliza), que institui no calendário municipal o “Dia do Digital Influencer”. A proposta, simples em sua redação, aguarda agora sanção do prefeito Douglas Melo. Nada contra o trabalho que o parlamentar vem desenvolvendo, mas é fato que projetos dessa natureza chamam atenção (negativamente) de quem acompanha o legislativo, e espera políticas públicas que de fato fazem diferença na vida do cidadão.
Na justificativa, Leôncio afirma que influenciadores digitais desempenham papel importante na formação da opinião pública e na construção de narrativas sociais e culturais. No entanto, para grande parte da população, a aprovação de uma data comemorativa não passa de um gesto simbólico — e pouco útil.
Enquanto a cidade enfrenta desafios como crise na coleta de lixo, gargalos na saúde, dificuldades na mobilidade urbana e carência de políticas públicas efetivas, a criação do “Dia do Digital Influencer” soa, para muitos, como um descompasso com as prioridades da cidade.
A indignação cresce quando esse tipo de projeto é analisado lado a lado com as discussões internas da Câmara para elevar seus próprios gastos. O aumento das diárias — custeadas com dinheiro público — e a implementação de um auxílio-alimentação reforçam a percepção de que os interesses corporativos têm ocupado mais espaço que as demandas urgentes do cidadão.
Enquanto os vereadores tentam justificar essas medidas como necessárias para o “bom desempenho do mandato”, fica a pergunta:
Onde estão as políticas públicas que realmente impactam o dia a dia da população?
A mensagem passada ao cidadão é clara: enquanto o Legislativo municipal busca ampliar seus benefícios, dedica tempo e energia para aprovar projetos de apelo simbólico e sem efeito prático. Isso amplia o sentimento de distanciamento entre vereadores e a realidade das ruas. E depois de nada adianta alterar o horário das reuniões, pois são essas gafes que afastam o cidadão do debate político.





























