A megaoperação realizada nesta terça-feira (28/10) pelas polícias Civil e Militar nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, já é considerada a mais letal da história do estado. O número de mortos ultrapassa 60 pessoas, entre suspeitos e agentes de segurança. A ação reacende o debate sobre o risco de expansão da violência e do tráfico para Minas Gerais, especialmente nas regiões de divisa entre os dois estados.
O especialista em segurança pública Jorge Tassi alerta para a possibilidade de integrantes do Comando Vermelho (CV) fugirem para estados vizinhos. “A fuga pode gerar conflito. Por isso, a prevenção é fundamental neste momento”, afirma. Segundo ele, é possível que ocorram reflexos nas estruturas do CV que já atuam em Minas Gerais. “O crime organizado costuma reagir às ações das forças de segurança. Esses reflexos podem aparecer onde as facções mantêm influência. Há relatos de presença do CV em áreas próximas à divisa mineira”, explica.
Tassi ressalta que a resposta das organizações criminosas tende a ser violenta. “O crime organizado reage com dinheiro ou com violência. Neste caso, será pela segunda opção. Precisamos de uma estrutura preventiva preparada para lidar com isso”, avalia.
Um delegado da Polícia Civil mineira, que preferiu não se identificar, confirmou que as forças de segurança de Minas e Rio já mantêm cooperação permanente. “As operações nas divisas são constantes. Neste momento, lotar a fronteira de policiais não é o mais inteligente. O trabalho eficaz é feito no silêncio — e isso já está acontecendo. Recentemente, realizamos operações simultâneas em todas as divisas mineiras. O criminoso é ousado, então precisamos estar sempre um passo à frente”, destacou.
O especialista em segurança pública Arnaldo Conde compartilha da mesma visão. Segundo ele, as áreas de inteligência dos estados trabalham em conjunto. “A estratégia vem em primeiro lugar. As inteligências estaduais estão alinhadas. Não acredito em fuga em massa para Minas, pois a preparação já foi feita”, afirma.
O diretor de Comunicação Organizacional da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Flávio Santiago, reforçou o compromisso da corporação em garantir a segurança dos mineiros. “Enquanto vemos situações graves em outros estados, em Minas uma viatura nossa entra e sai de qualquer lugar. Trabalhamos 24 horas por dia, sete dias por semana, para manter o estado protegido de quaisquer ameaças”, declarou durante a cerimônia de comemoração dos 10 anos do Centro de Jornalismo Policial da PMMG, também realizada nesta terça-feira.
Fonte: O Tempo




























