Nesta terça-feira (2/12/2025), a Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) concedeu oficialmente anistia a Reinaldo, reconhecendo que ele sofreu perseguição política durante o regime militar — entre março de 1978 e outubro de 1986.
Além disso, a comissão aprovou o pagamento de uma indenização de R$ 100 mil, em parcela única, como reparação pela perseguição sofrida.
O ex-atacante — que brilhou no Atlético Mineiro — era alvo por causa de suas manifestações de resistência. Em campo, suas comemorações com o punho cerrado erguido faziam alusão ao movimento dos Black Panthers, símbolo de luta contra o racismo e de defesa dos direitos civis.
Esse gesto, associado a seus posicionamentos públicos pela democracia, foi interpretado pelos órgãos de repressão — como o Serviço Nacional de Informações (SNI) — como subversivo. Ele acabou sendo monitorado, tendo sua reputação atacada, o que resultou em imposições que prejudicaram sua vida pessoal e profissional.
De acordo com Reinaldo, a perseguição envolveu “campanha de difamação”, vigilância constante e tentativa de “destruir sua reputação”. Ele afirmou que o objetivo era fazê-lo sentir-se isolado e inseguro — mesmo sem prisão ou agressão física explícita.
Muitos acreditam que a perseguição política tenha influenciado diretamente na trajetória de Reinaldo fora do Atlético — especialmente no que se refere à sua não convocação para a Copa do Mundo de 1982, na Espanha, mesmo em plena forma técnica e sendo um dos melhores atacantes do Brasil na época.
No clube mineiro, contudo, seu legado é indiscutível: vestiu a camisa do Galo entre 1973 e 1985, marcou 255 gols em 475 jogos — sendo o maior artilheiro da história do clube — e conquistou diversos títulos estaduais e torneios amistosos.
No momento da concessão da anistia, Reinaldo chorou ao relatar o sofrimento psicológico e a sensação de insegurança constante vivida por anos. Ele destacou que, para ele, o pedido público de desculpas do Estado pesa mais do que o valor da reparação financeira.
Para as autoridades presentes, a decisão não representa apenas justiça individual — mas um ato de reparação histórica, servindo de exemplo para a memória coletiva do país. A ministra responsável falou em “defesa intransigente da democracia” e ressaltou a importância de reconhecer os erros do passado.




























