O Primeiro Comando da Capital (PCC) voltou a ser alvo de investigações após novas ameaças de morte contra autoridades paulistas conhecidas por combater a facção criminosa desde o início dos anos 2000. Entre os alvos recentes estão o promotor Lincoln Gakyia e o coordenador dos presídios do interior de São Paulo, Roberto Medina.
Nenhum dos dois sofreu ataques, graças à atuação de forças de segurança que frustraram os planos. Na última sexta-feira (24), uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil deu sequência ao trabalho de inteligência que monitora as ações da facção.
Durante a operação, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em imóveis ligados a suspeitos de planejar os atentados. Dos oito investigados, cinco já estavam presos por outros crimes. Todos responderão por organização criminosa armada e ameaça.
As ameaças contra autoridades fazem parte da estratégia recorrente do PCC, que ao longo dos anos expandiu sua influência no tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e formação de células no exterior.
O promotor Amauri Silveira Filho, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Campinas (SP), alvo do plano de assassinato do PCC. — Foto: Pedro Santana/EPTV
Em agosto de 2025, o Ministério Público e a Polícia Civil prenderam empresários suspeitos de financiar um plano para matar o promotor Amauri Silveira Filho, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), e um comandante da Polícia Militar, cujo nome não foi divulgado.
Dois meses antes, em junho de 2025, o MP recebeu informações sobre ameaças feitas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e ao secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite. O autor das ameaças, um preso em Presidente Venceslau, foi contido após ser flagrado com uma faca e reafirmar as intenções durante interrogatório.
Casos semelhantes já haviam ocorrido em anos anteriores. Em 2023, a Polícia Federal prendeu suspeitos de planejar o assassinato do senador Sergio Moro (União Brasil) — ex-ministro da Segurança Pública e responsável por transferir Marcola, líder do PCC, para um presídio federal.
Outras ameaças também foram registradas ao longo da última década:
2020: um homem foi preso após ameaçar matar o então governador João Doria (PSDB), caso sua esposa, Bia Doria, não pagasse R$ 5 milhões à facção;
2018: mensagens codificadas apreendidas em presídios revelaram planos contra o ex-secretário da Segurança Pública Antonio Ferreira Pinto, o então secretário da Administração Penitenciária Lourival Gomes e o deputado estadual coronel Telhada (PP);
2013: interceptações telefônicas do Gaeco mostraram que o grupo também cogitava matar o então governador Geraldo Alckmin (PSDB).
Em algumas dessas investigações, os nomes de Lincoln Gakyia e Roberto Medina já apareciam entre os possíveis alvos. Assim como nas ocasiões anteriores, nenhuma das autoridades citadas foi atacada.
O coronel Telhada, ex-integrante da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), chegou a declarar publicamente que sobreviveu a um atentado a tiros atribuído a integrantes do PCC.
As forças de segurança afirmam que as ameaças continuam sendo monitoradas e que novas ações devem ocorrer para impedir qualquer tentativa de execução dos planos da facção.




























